PROJETO "CAMINHANDO COM CLARICE"


Chaya Pinkhasovna Lispector nasceu judia na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920.


Mudou-se para o Brasil com a família, ainda bebê, fugindo de guerras e da perseguição semita e aqui tornou-se CLARICE LISPECTOR.


O Nordeste brasileiro a viu crescer e florescer.


Declarava-se pernambucana de nascença e, na adolescência, após a morte da mãe, veio para o Rio de Janeiro, com seu pai e irmãs, onde construiu sua vida acadêmica, profissional e familiar. Casada com um diplomata, conheceu vários países, mas nenhum lugar foi tão marcante para a sua vida como a “Cidade Maravilhosa”, onde buscou inspiração para os seus escritos. Residiu em vários lugares no Rio, mas o bairro do Leme tornou-se o seu favorito.


Clarice frequentava lugares especiais, que marcaram sua vida e obra: no Centro do Rio, a Praça Mauá, onde trabalhou como jornalista no jornal “A Noite” e, pelos idos de 1944, com 24 anos, lançou seu primeiro romance “Perto do Coraçao Selvagem”, que abriu uma nova tendência na literatura brasileira, tendo recebido o prêmio Graça Aranha; Rua do Acre, que foi o endereço da última personagem de Clarice no seu livro “A Hora da Estrela”, que foi uma despedida, lançada em 1977, ano de sua morte.

Nos anos em que morou na Tijuca, sendo amante da Natureza, costumava passear no Parque Nacional da Tijuca, em especial no Setor Floresta da Tijuca.


Sob o olhar da escritora, suas árvores eram “enormes, encipoadas, cobertas de parasitas”. Não fica difícil imaginar que seu lugar preferido era o “Açude da Solidão”.


Além da Floresta, frequentava o Jardim Zoológico e a Feira de São Cristóvão.

Na Zona Sul, o Parque Lage, com seus 52 hectares de puro verde, palmeiras imperiais, lagos e cavernas, fazia parte do seu roteiro de caminhadas.

Clarice era freqüentadora assídua do Jardim Botânico, onde adorava passear e contemplar a exuberante natureza, com destaque para as vitórias-régias no Lago Frei Leandro, local batizado de “Espaço Clarice Lispector”, em sua homenagem.


Apaixonada e inspirada por aquele imenso e famoso Jardim urbano, escreveu a crônica “O ato gratuito”, cujos trechos transcrevo a seguir:


‘EU IA AO JARDIM BOTÂNICO PARA QUÊ. SÓ PARA OLHAR. SÓ PARA VER. SÓ PARA SENTIR. SÓ PARA VIVER.

O MISTÉRIO ME RODEAVA.

HAVIA SEIVA EM TUDO COMO HÁ SANGUE EM NOSSO CORPO.

DE PROPÓSITO NÃO VOU DESCREVER O QUE VI: CADA PESSOA TEM QUE DESCOBRIR SOZINHA.

DE PASSAGEM FALAREI DE LEVE NA LIBERDADE DOS PÁSSAROS. E NA MINHA LIBERDADE. MAS É SÓ”.




Outro lugar preferido por Clarice Lispector era o Bairro do Leme, onde viveu por doze anos, inicialmente na Rua General Ribeiro da Costa nº 2 e depois na Rua Gustavo Sampaio nº 88 – Edifício Macedo, ao lado do Leme Tênis Clube, que foi sua morada até o falecimento em 09 de dezembro de 1977.


Esse prédio foi contemplado com uma placa exibida em sua fachada em homenagem à ilustre moradora.

Clarice foi vítima de câncer e faleceu com 56 anos, sem conhecer o êxito do livro “A Hora da Estrela”, sua última obra publicada em vida e que se tornou seu maior sucesso. Conta a história de Macabéia, moça tão pobre que só comia cachorro quente. Tornou-se o terceiro título mais comercializado na Grécia, tendo sido traduzido também em vários países como Estados Unidos, Alemanha, Itália, França, Argentina, dentre outros.

Sua conexão com o Leme, seu bairro de coração, foi imortalizada com a estátua modelada por Edgar Duvivier em 2016, instalada na Pedra do Leme, próxima ao Caminho dos Pescadores.


É a primeira estátua dedicada a uma artista feminina no Rio. Mostra Clarice acompanhada de seu cão, “Ulisses Lispector” (como ela gostava de que fosse chamado o seu grande amor), num dos seus lugares favoritos do bairro.


De paladar apurado, costumava freqüentar o Restaurante “La Fiorentina”, em frente à praia do Leme, onde adorava saborear seu prato predileto “Supremo de frango com batata grisette” e às vezes pizza.


O Projeto que intitulei de “CAMINHANDO COM CLARICE” é associado ao Turismo Cultural, uma das minhas especialidades, e tem como objetivo comemorar o Centenário de Clarice, através de um “tour” pelo Rio, apresentando ao público detalhes curiosos da vida e obra dessa mulher fantástica, que se tornou um ícone da literatura brasileira e internacional do século XX, através dos seus vários romances, crônicas, contos e ensaios.


Considerada “hermética” para a crítica, talvez devido à sua timidez excessiva, mas tinha um perfil maternal e altruísta muito acentuado.


A Empresa “AVANTE TOURS”, da qual sou gerente, está concluindo os detalhes deste Projeto que será lançado muito em breve através da mídia e de todos os canais de comunicação.


Desde já convido vocês, caros amigos leitores da Revista Absolute Rio, a participarem dessa caminhada cultural com a solidão de Clarice, penetrando no seu mundo de idéias geniais, revolucionárias, intrigantes, mas sempre dotadas de muita sabedoria e sensibilidade.


“SIM, MINHA FORÇA ESTÁ NA SOLIDÃO.

NÃO TENHO MEDO NEM DE CHUVAS TEMPESTIVAS NEM DAS GRANDES VENTANIAS SOLTAS, POIS EU TAMBÉM SOU O ESCURO DA NOITE.”

“SOU COMO VOCÊ ME VÊ.

POSSO SER LEVE COMO UMA BRISA OU FORTE COMO UMA VENTANIA.

DEPENDE DE QUANDO E COMO VOCÊ ME VÊ.”






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