Roda de conversa Biblioteca Parque


Ontem, o fim da tarde foi pontuado por roda de conversa sobe os crescentes casos de intolerância religiosa, que infelizmente, só aumentam. O bate papo aconteceu na Biblioteca Parque, no Centro da cidade, no lançamento da coleção Lendas e Deuses da África, do autor Maurício Pestana. O autor conta em linguagem lúdica as lendas e os deuses trazidos pelos escravos, que chegam ao Brasil em porões de navios negreiros e hoje são parte fundamental da formação cultural e social da nação brasileira. A série conta com 12 livretos: Exu, Oxum, Ogum, Obaluaê, Oyá, Oxalá, Obá, Nanã Burukú, Iemanjá, Oxumaré, Xangô e Oxossi.

Os livros são lindos e de extrema importância, chega em um ótimo momento, uma vez que os relatos de intolerância religiosa têm chegado cada vez com mais força ao ambiente escolar principalmente nos níveis fundamental e médio. "O encontro ontem, sobre intolerância religiosa, que celebrou o lançamento do meu livro, foi fantástico, foi histórico, o Dr. Ivanir deu uma aula ontem de como a gente pode utilizar, inclusive os escritos bíblicos pra falar não só da importância das religiões de matriz africana, mas também para combater a intolerância religiosa", afirmo Maurício Pestana.

A roda de conversa contou com o próprio autor, além do Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos - CEAP e CCIR / Rodrigo França - ator, diretor, professor, ativista em direitos humanos fundamentais e ex-BBB - Elisa Larkin Nascimento - IPEAFRO / Nilza Valéria Z. Nascimento - Coordenadora da frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e Maicol Willian - Fundador do Projeto Orixás & Pretagogias.

"Outra coisa que me chamou muita atenção, foi a força da juventude negra que está muito 'interada' sobre a questão da religiosidade africana", completa Pestana Rodrigo França, de forma objetiva alertou quanto à educação étnico racial nas escolas, como uma forma de superar essas dificuldades. Elisa Larkin fez um relato histórico da luta do Abdias Nascimento e movimento negro no Brasil, sem sobra de dúvida, um legada de grande importância. E Maicol Willian abordou com veemência a necessidade de ações efetivas. Nilza Valéria também se mostrou indignada com atos cotra as religiões de matriz africana.

"Espero retornar ao Rio, à essa discussão porque acho que o que ficou muito claro para todos nós, que só a união da academia, da juventude, artista, escritores, ativistas como eu, em uma frente muita mais ampla vai pode combater o racismo e a intolerância religiosa em nosso pais".

A noite, outra roda de conversa, dessa vez no IFCS. Alusivo ao dia 25 de maio, que é considerado o Dia de África, o evento foi aberto ao público, com o objetivo levar a reflexão sobre as múltiplas experiências sociais africanas. Desmistificação das ideias racistas e preconceituosas que ainda exite sobre o continente africano.

A mesa explanou sobre as Experiências Afro-Brasileiras, em Burkina Faso, onde uma delegação brasileira, coordenada pelo Prof. Dr. Babalawô (UFRJ) composta por intelectuais negros e religiosos de matriz africanas, ficou por um mês, entre Nigéria e Burkina Faso. Com depoimento dos Prof. Dr. Jacques D'Adesky (UFF) / Prof. Mestra Mariana Gino (Doutorada em História Comparada - PPGHC/UFRJ) - Prof. Éle Semog (CEAP) e Prof. Mestra Marize Conceição (Doutoranda em História Social - PPGHS -FFP/UFRJ). O evento possibilitou uma diversidade de ideias e de encontros. Prova disso, foi a presença de africanos e pessoas ligadas ao mundo das artes, que entendem e compreende a importância de Burkina Faso como ponto cultural e cheio de diversidades.

"Acredito que é um passo muito importante ao marcamos a importância da data e também pontuar a experiência de afro-brasileira em um país africanos que não está ligado à cultura yorubana e também não é lusofono", atestou Ivanir dos Santos

"Para nós, professores negros, a África sempre será um ponto de encontro é reconstruções das nossa subjetividade. Acredito muito que evento como esses possam abrir novos horizontes de pesquisas e perspectivas sobre o continente e também sobre os países que compõem o continente", reiterado por Mariana Gino.

Fotos de Rozangela Silva


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